segunda-feira, 21 de maio de 2012


PROGRAMAÇÃO DO IV SIMPÓSIO DE IPU

Dia 03 de julho: Das 09: 00 h às 17: 00 h – Credenciamento Local: Centro Vocacional de Ipu - CVT

MESA DE ABERTURA 18:00h- ATELIÊ TEMATICO – CINE SESC 19:00h – Novos olhares das pluralidade: Da cultura e literatura Ana Miranda é poetisa e romancista brasileira. Magnífico Reitor Antonio Colaço Martins (UVA) Mediador: Prof. Dr. Dennis Melo (UVA) APRESENTAÇÃO CULTURAL: Negra Crioula (Grupo Teatral de Fortaleza) Local: Praça de Iracema

 Dia: 04 de julho 8h:30min – MESA-REDONDA: EDUCAÇÃO, MEDICINA, CORAÇÃO, DESENVOLVIMENTO QUE TRANSFORMA NORDESTE BRASILEIRO.  Esp. em Medicina Jose Evangelista Filho – (UFMA) Prof. Dr. em Educação Edvar Costa Rodrigues (UVA) Mediador: Prof. Msc. Antonio Iramar Miranda Barros (INTA) Intervalo para almoço: Das 12:00h às 14:00 h
14h – O CAMINHAR NA CIDADE  – Práticas, Memórias e Representações do "andar" Urbano.  Prof.: Esp. em História Petrônio Lima (IVA/UVA)

18:00h- ATELIÊ TEMATICO – CINE SESC 19:00 h - Palestra: MESA-REDONDA - : NEGROS E ÍNDIOS MOVIMENTO DE resistência das suas pluralidades Profa. Dra. Afrodescendente Josenilda Tenório Ferreira Calheiros (UFC) Presidente dos Quilombos Brasileiros - Antonio Quilombolas. Prof. Babi Fonteles, Coordenador dos Cursos de Magistério Indígena Superior pela UFC Representante da comunidade indígena Mediador: Prof. Ms. em Filosofia Giovane Paulino de Oliveira (UVA)

DIA 05 Julho - MESA-REDONDA 08:30min – Restauração, Patrimônio impactos nas pluralidades. Prof. Ms. em História Social Alênio Carlos Noronha (UNB -UVA) Sérgio Tropia (Restaurador de Ouro Perto)  Mediador - Prof. Dr. Pedro Fernandes (UFRN) Intervalo para almoço: Das 12:00h às 14:00 h 18:00h- ATELIÊ TEMATICO – CINE SESC 19:00h - Palestra – A Cultura popular: Das lideranças, a organização da sociedade civil Prof. Dr. em Sociologia Osvaldo Barroso (UFC) Profa. Dra. em Sociologia Ana Cristina Farias de Carvalho (URCA) Mediadora: Profa. Ms. Maria Rakel (UFC)

DIA 0 6 Julho 08:30 mim Mesa-Redonda – A estética do Cangaço, Lampião ou Lampiões Tudo isto são questão de observação, pluraridades e Evolução no Nordeste. Prof. Ms. em Filosofia Giovane Paulino de Oliveira (UVA) Prof. Ms. em pedagogia, poeta historiador Luciano Bonfim ( UVA) Prof. Ms. em História Raimundo Alves de Araujo (UECE) Mediador - Prof. Esp. em História Francisco Petrônio Lima (UVA) 19:00h – Mesa Redonda – Antropologia do Desenvolvimento e Identidade Regional. Prof. Dr. Antropologia - Marques (UFC) Prof. Dr. Em história Eriberto (UFPE) Mediador - Prof. Dr. em Educação Edvar Costa Rodrigues (UVA) Intervalo para almoço: Das 12:00h às 14:00 h

Dia 07 de julho 9h:00min – HISTÓRIA E PERTENCIMENTO QUE TRANSFORMA AS PLURARIDADES. Prof. Dr. em História Antonio Vitorino Farias Filho (UFPE/INTA) Prof. Msc. Antonio Iramar Miranda Barros (INTA) Prof. Msc. em História Raimundo Alves de Araujo (UECE) Mediador - Prof. Ms. em História Social Alênio Carlos Noronha (UNB -UVA) 18:00h – ATELIÊ TEMATICO – CINE SESC 19:00h - Mesa-Redonda -  22h:30min – FESTEJOS – SHOW ; cantor e compositor Local: Bica de Ipu 14:00h

– OFICINAS – Dias 03 e 05 julho LOCAL: ESCOLA AUTON ARAGÃO. 1 – História do lugar com trampolim para o desenvolvimento humano (Prof. Dr. Dennis Melo UVA) 2- Literatura e suas pluralidade (Prof. Esp. em Literatura Manfred) 3 – Danças e manifestação culturais dos quilombos (Tatiana UFC) 5 – Economia criativa transforma o povo? (Prof. Henrique Douglas - SENAC) 6 – Farias Brito - Prof. Ms. em Filosofia Giovane Paulino de Oliveira (UVA) / Prof. Ms. em História Social Alênio Carlos Noronha (UNB -UVA) 7 - Campo de concentração um fracasso! O outro lado da seca (prof. Ms. em história Raimundo Alves de Araujo – UECE e Prof. Dr. em história Antonio Vitorino Farias Filho(INTA) 8 – Educação em suas pluralidades - Prof. Dr. em Educação Edvar Costa Rodrigues (UVA) 14:00h

 - MINI-CURSO - Dias 06 e 07 julho LOCAL: ESCOLA AUTON ARAGÃO. 1 Construções das cidades ibiapabanas.( Alunos do PET – sobre a coordenação do Prof. Dr. Carlos Augusto – UVA) Ipu – Guaraciaba Norte, São Benetido, Ibiapina, Croatá, Tianguá, Viçosa, Ubajara, Carnaubal. 2– As concepções de Cultura e os seu vínculos com o desenvolvimento (Regina, ou Gledson) 3– A critica do desenvolvimento - Prof. Dr. em Filosofia Luiz Alexandre Dias Do Carmo (USP) 4 – Filologia Tupi e identidade em José de Alencar - Valdemar Ferreira de Carvalho Neto Terceiro(UVA)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O CAMINHO DOS FILÓSOFOS: ARTE DO CAMINHAR

Foto ilustrativa da arte da caminhada "Trekking" no Brasil

 Dentre as várias escolas da Antiguidade, porém, existe uma que se destaca não só pela estranheza do nome como pelo tipo de ensino incomum: o método peripatético, utilizado por Aristóteles no Liceu. Isso mesmo: o autor da Metafísica não passava de um peripatético. O exótico adjetivo se deve ao fato de ele "dar suas aulas caminhando" pelo peripatos, uma alameda situada nos jardins do Liceu. As andanças eram feitas pelas manhãs, e nelas mestre e discípulos discutiam as questões filosóficas mais profundas ligadas à metafísica, à física e à lógica.

Alguns séculos depois, o termo se desprendeu dos jardins do Liceu e passou a servir de designação a todo aquele que tem o hábito de ensinar andando. Surge assim o mais famoso peripatético de todos os tempos: Jesus Cristo. As pregações do filho de Maria eram feitas em longas caminhadas com os discípulos, que por sua vez levaram adiante seu modo de ensinar. E foi assim, através de suas caminhadas e pregações, que Jesus ajudou a combater a exploração do aparentemente invencível Império de Roma.

Dando um longo passo da época de Cristo até o século XVIII, chega-se a um dos grandes nomes da filosofia moderna: Emmanuel Kant. O filósofo, nascido na cidade de Königsberg - de onde nunca sairia -, fora capaz de pensar coisas que revolucionaram o mundo da filosofia. Apesar da mente inquieta, a vida de Kant caracterizava-se por uma rotina inquebrantável. Segundo se conta, todos os dias, às três e meia da tarde em ponto, ele saía de sua casa para seu passeio vespertino na alameda de tílias que hoje se chama Passeio do Filósofo.

A pontualidade era tanta que os vizinhos acertavam seus relógios pela hora que Kant aparecia na porta de casa para iniciar sua caminhada (reza a lenda que apenas um único dia o filósofo não caminhou: quando leu Rousseau, sua perplexidade foi tamanha que violou seu hábito). Kant não era um peripatético, posto que em seus passeios não dava lições, mas quem garante que não teria nascido dessas tardes de exercício a fonte de inspiração para os juízos sintéticos a priori, o imperativo categórico e outras de suas grandes descobertas filosóficas?

Ainda na senda da filosofia, apesar dos pensamentos distintos entre o plácido filósofo de Könninsberg e o possesso pensador do eterno-retorno, Friedrich Nietzsche, existe um ponto de encontro: o caminhar. Ambos cultivavam esse saudável hábito, mas o autor de Assim Falava Zaratustra - talvez pelo seu gênio impetuoso – fazia andanças bem mais intensas que as kantianas. Durante sua vida nômade, que lhe valeu a alcunha de “filósofo errante”, independente dos lugares onde se fixava, Nietzsche percorria diariamente longas distâncias por cerca de 6 a 8 horas e depois se entregava a uma escrita incessante na qual colocava as ideias surgidas nesse processo.

Não deve ser por acaso que seus textos são repletos de alusões a locomoção, a paisagens e a fenômenos climáticos. A consolidação máxima de seu processo de pensar-caminhar fica clara em seu mais célebre livro, que narra a trajetória de um homem que, aos trinta anos, deixa sua casa e isola-se nas montanhas por 10 anos. Após esse período, desce de lá e busca disseminar suas ideias pelo mundo afora. As quatro partes em que o livro é dividido foram escritas em diferentes lugares e épocas. Foi caminhando que as ideias para escrever Zaratustra brotaram em Nietzsche.

Para ele, andar era imprescindível para pensar. Tanto assim que no livro A Gaia Ciênciaencontra-se o aforismo: "Não escrevo apenas com a mão: o pé também quer sempre participar". Veredas literárias Uma trilha que por vezes se cruza e por vezes se afasta da filosofia é a literatura. O caminhar nela também se faz bastante presente.Em seu livro de estreia, O diário de um mago, o escritor Paulo Coelho relata sua experiência ao trilhar o Caminho de Santiago de Compostela.

No texto, o mago descreve a importância de realizar tal jornada: “A viagem, que antes era uma tortura porque você queria apenas chegar, agora começa a transformar-se em prazer, no prazer da busca e da aventura. Com isto você está alimentando uma coisa muito importante, que são seus sonhos”. Apesar de tal caminho já ser rota de peregrinação desde o século IX, o livro fez tanto sucesso que o trajeto popularizou-se ainda mais e hoje milhares de pessoas se mandam para a Península Ibérica a fim de trilhá-lo. Os motivos da peregrinação podem ser de natureza religiosa, mística, pessoal ou simplesmente para buscar emoções.

Outro famoso caminhante da literatura é Sidarta, de Herman Hesse. O príncipe de Sakyas, após largar todos os bens materiais de que era provido no palácio de seu pai e sair caminhando pelo Oriente, passa por diversas provações até que obtém a redenção, liberta-se de todos desejos e torna-se Buda. Na contramão desse caminho, desejando sobretudo o encontro com o Diabo, está o desbravador das tortuosas trilhas das Gerais, Riobaldo, protagonista da obra-prima de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas. Todo o livro acontece no caminhar, nas andanças, no encontro e desencontro dos rumos.

É quando o professor Riobaldo se larga pelas veredas do sertão. Na travessia, descobre a paixão proibida por Diadorim, o amor por Otacília e a jagunçagem. Até de nome muda: Tatarana, devido à boa pontaria, e depois vira Urutu-Branco quando se torna líder do bando. Mas a dúvida crucial do romance permanece: vendeu ou não sua alma ao demo? E pergunta ao seu compadre: “O senhor acha que a minha alma eu vendi, pactário?!.” Ele mesmo responde: “O Diabo não existe. Pois não? O senhor é um homem soberano, circunspecto. Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia.”

 A caminho do mar...

Outro conhecido adepto de caminhadas é o muso sexagenário, Chico Buarque de Holanda, que usa o trajeto do final do Leblon até o Arpoador como fonte de inspiração para suas composições, livros e reflexão, pois, como ele mesmo declarou em entrevista: “eu também só sei pensar andando. Se você ficar parado, não consegue pensar. Andar eu recomendo para tudo.

Se você tem qualquer problema, dê uma caminhada – porque ajuda, inclusive, a ter ideias. Se a música ficou emperrada ou se a ideia para um livro não vem, a melhor coisa a fazer é dar uma bela caminhada. Fiquei três meses preso na cama. Eu não conseguia ter ideias. Só sonhava que andava. Foram três meses perdidos pela imobilidade”. E completa: “Associo o ato de andar ao ato de pensar, criar e compor”.

Fonte: Mariana Cruz (Blog Educação Pública)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

CAMINHAR TAMBÉM É HISTÓRIA

Resumo do trabalho que apresentarei no IV Simpósio de Ipu em julho de 2012. Pesquisa em processo de amadurecimento para o mestrado em História Cultural.

 CAMINHAR TAMBÉM É HISTÓRIA: ANDANÇAS, MEMÓRIAS E REPRESENTAÇÕES NO USO DO ESPAÇO URBANO EM IPU (1920-1940)


Foto: Acervo fotográfico do Prof.: Francisco De Assis Martins

Por Francisco Petrônio Peres Lima 

Pensar a História por meio da prática do simples hábito de caminhar é uma forma de perceber os espaços reais e simbólicos nas experiências e memórias dos sujeitos sociais em seu tempo. As ruas e calçadas, produzidas em mapas e planos urbanísticos também evocam um passado histórico nas representações do uso do espaço.

Quem não se lembra de algum velho casarão ou sobrado ao andar a pé pelas ruas da cidade ou então das primeiras brincadeiras e namoros nas praças e calçadas. Muito embora, “a forma mais humana de deslocamento do homem” esteja perdendo o espaço para a grande quantidade de veículos automotores, ainda é possível retomar os “lugares perdidos” por meio das memórias e representações dos passeios públicos.

Em nossa pesquisa propomos analisar as lembranças, práticas e representações do “caminhar urbano” no uso dos espaços públicos em Ipu entre os anos de 1920 a 1940 e de que forma o caminhar nas avenidas e praças tentava construir um desejo por uma cidade dita moderna. Ou seja, o hábito de caminhar pela cidade em Ipu não era apenas visto como uma forma “rústica” de movimentação do homem simples, mas também uma prática recorrente pela dita melhor sociedade na idealização dos lugares “xiques” e “elegantes”.

 O “ser moderno”, pertencente a “escol social” era poder andar livremente nos passeios públicos, praças e avenidas. A construção do jardim Iracema em 1927, localizado numa área nobre, pode assim ser definido como uma tentativa em querer copiar o modelo urbanístico das “cidades jardins” dos grandes centros metropolitanos. Dessa forma o caminhar nas avenidas representava, portanto uma separação entre os espaços dos “ricos” e dos “pobres” na pequena “urb sertaneja”.

O passeio a pé nestes locais se diferenciava da forma comum do dia a dia dos andarilhos ou pessoas que circulavam outros lugares, becos e ruas de Ipu, mas ao mesmo tempo mostrava-se como um encontro de socialização e contato maior com natureza urbana. Desta maneira recorremos às fontes orais e escritas para uma melhor análise e reconstituições das lembranças e memórias do caminhante urbano ipuense das décadas de 1920 e 1940. Suas experiências sociais e cotidianas nas andanças e vivencias nos espaços da cidade.

O que não deixa de ser uma reflexão atual sobre a necessidade de rever novos valores, novos paradigmas da importância da caminhada urbana como algo histórico e saudável. Uma maneira prática de se locomover na cidade de forma sustentável, cultural e prazerosa.

UM BREVE HISTÓRICO SOBRE O CAMINHAR NO SÉCULO XX

 Desde tempos mais remotos andar a pé sempre foi a forma mais humana de deslocamento do homem. Com a chamada Revolução Industrial os surgimentos do automóvel assim como as praças iluminadas e elegantes de Paris destacam-se como um referencial da chegada do progresso. Na segunda metade do século XX as separações entre veículos e pedestres passam a incorporar nos projetos de reurbanização das principais cidades brasileiras nas novas formas de moralização dos espaços.

Andar nas ruas e praças ganha novos significados e valores na memória urbana, desta forma as “elites” passam a construir novos lugares de sociabilidade nos locais de movimentação e lazer. O hábito francês do caminhar nas avenidas se incorpora na idealização da cidade moderna, das calçadas e bulevares, contrastando com a realidade social e cotidiana dos becos e cortiços. Daí a necessidade em alargar as ruas, afastar os “pobres” do centro, criar novas praças e avenidas em nome do progresso capitalista.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"O POVO AUMENTA MAS NÃO INVENTA": NARRADORES DE JAVÉ


Em muitas de minhas andanças(Trekking)pela serra e sertão de Ipu e região costumo fotografar e anotar as memórias e histórias mais interessantes dos lugarejos. Contos e lendas dos tempo da escravidão, Lobissomens, "botijas amaldiçoadas"e tudo mais. É comum o praticante de Trekking está muito próximo das narrativas dos homens anônimos das estradas e lugarejos. Ainda mais eu que sou um historiador e apreciador dos locais simples de minhas terra. Daí então o Trekking ter se encaixado como uma ferramenta a mais em minhas pesquisas.

No filme chamado "Narradores de Javé" há uma rápida passagem de um destes típicos locais que encontramos estrada a fora. Inicia-se com um jovem e seu mochilão correndo para pegar o último barco. Não conseguindo, o mesmo resolve se dirigir a um pequeno boteco em busca de abrigo. E neste mesmo local fica a observar e ouvir as narrativas e memórias daquelas simples pessoas de um povoado antes conhecido como Javé. É aqui onde quero chegar,ou seja, falar de um dos filmes brasileiros mais interessantes que assisti e que costumo passar para meus alunos do ensino Médio e Faculdade.

NARRADORES DE JAVÉ : o filme

NARRADORES DE JAVÉ, produzido no Brasil, por Bananeiras Filmes, em 2003; escrito e dirigido pela brasileira Eliane Caffé. Os críticos de cinema o descrevem como uma comédia dramática, baseada em fatos jornalísticos. Tendo como principais atores: José Dumont, atuando como Antônio Biá, o escrevedor das memoriais orais do povo. Nelson Xavier, como Zaqueu,um dos lideres da comunidade de e narrador da história de Javé anos após o “acontecido”. O filme conta com muitos outros personagens, destaco estes, pois a análise que farei estará centrada, basicamente nestes dois personagens: Antonio Biá e Zaqueu.

O filme inicia com Zaqueu, narrando a história da cidade de Javé , anos depois desta ser inundada pela represa. A história que Zaqueu conta aconteceu no sertão da Bahia, estando a comunidade de Javé ameaçada por uma inundação da hidrelétrica, construída na região. Para tentar impedir está tragédia, os moradores do povoado resolveram escrever sua história e tentar transformá-la em patrimônio histórico, a ser preservado. Essa história tinha que ser escrita através de um documento científico: um dossiê. Mas quem poderia escrevê-la? O único adulto da comunidade, alfabetizado e bom nas “escrituras” era Antônio Biá (José Dumont).

Foi ele o escolhido para escrever este documento “científico”, embora a comunidade de Javé, não confiasse nele. O povo o chamava de “sacanajeiro, enganadô”. Porque as pessoas de Javé o chamavam assim? Zaqueu conta, que no passado ele, o Biá usou do poder da escrita para enganar as pessoas. Ele era funcionário do único Posto de correios da cidade. Por ser uma comunidade não-alfabetizada, o correio passou a ser um local, quase sem função social, as pessoas não utilizavam a tecnologia da escrita no seu cotidiano. Antônio Biá, percebe a ameaça de ficar sem seu emprego, pois o correio estava para ser fechado, pela ausência de uso da escrita.

Então, ele cria a estratégia para não perdê-lo. Passa a escrever cartas para outras localidades, em nome das pessoas do Vale de Javé.. Fofocas eram o conteúdo das cartas, como bem relata Zaqueu:“Ele aumentava os fatos acontecido, com malícia e difamando. Mas tudo era feito com graça e sapiência do ofício de escrever”. Ao ser descoberta sua farsa, foi expulso do centro deste vilarejo. Mas a mesma comunidade que o expulsou, a tempos atrás, naquele momento, precisava de “seus serviços”. Zaqueu ,afirma que ele teria que escrever o documento cientifico de Javé, pois ele é tido com um bom escritor: “Se Antônio Biá escreve mentira, escreve muito bem!!! E para fazê um dossiê, tem que fazê uma juntada de escrita das coisas que aconteceram por aqui...Ouvindo a nossa gente contando pela boca, a história verdadeira, a científica.”

Depois dessas declarações, Antônio Biá foi obrigado a aceitar o cargo de escrevedor. O povo passa, a contar, narrar as memórias orais, na esperança de salvá-los da moderna tecnologia, a hidrelétrica, que fará o povoado desaparecer nas águas.

O escrevedor de memórias já estava contratado, urgentemente, ele precisava ouvir os relatos das memórias, das histórias orais feitas pelos narradores de Javé, isto é, os moradores e as moradoras deste Vale. Nesta fase, do filme Biá passa visitar as casas dos moradores e pedir-lhes que conte os fatos acontecidos: “Conte as lembranças Javélicas, históricas e pré-históricas para gente por no livro a odisséia do Vale de Javé”, falava o sacanajeiro!

Javé e seu povo. Eles e elas, moços e moças, crianças, velhos, velhas, mulheres e homens, negros e negras, em sua maioria; poucos brancos e muitos mestiços, todos nordestinos; se diziam esperançosos/as ao narrarem as memórias de sua Javé. Histórias contadas de várias versões, enredos, e cenários; desde guerreiros e guerreiras, heroínas e heróis, mendigos homens sofredores de “dor de corno”. Tinha até quem dissesse que os “Javélicos e Javélicas” vieram da África. Apesar desta variedade de fatos e de versões, o fundador da cidade, o Javélico Indalécio e Mariadina, sempre apareciam nas prosas das autonarrativas do Vale.

A história da vida deste povoado é a história das narrativas que ouviram, viram, e quase nada escreveram. A cada narrador uma outra história. A mesma Javé tinha sentidos diferentes, tanto para aquele que contava, quanto para aqueles/as que ouviam. Produzindo assim, multiplicidade de histórias e diferentes efeitos de sentidos. Somos, constituídos e atravessados pelas nossas histórias e pelo que narramos delas. LARROSA (1996), diz que a auto-narrativa é um dos lugares que a pessoa ocupa provisoriamente para si mesmo, com a presença de sua própria voz.
Como já referi anteriormente, Antônio Biá, passa a ser o escrevedor das memórias do povoado, o único adulto alfabetizado da comunidade. E Antônio Biá passa a ter o papel de transpor para o papel as falas do Vale de Javé.

Do resumo de Sônia Regina da Luz Matos ( Narradores de Javé: o filme)
Professora da Universidade de Caxias do Sul- RS Centro de Filosofia e Educação

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

POESIA TREKKING: O "EU" CAMINHANTE


Foto: Petrus Trekking (Estrada que leva a trilha do Regalo em Ipu)

O “eu” caminhante...

Às vezes tenho vontade de sumir
De percorrer caminhos inóspitos...
Assim,poder sentir o brilho do sol mais intenso

Olhar o azul do céu por sobre as montanhas
Deixar o vento secar minhas lágrimas
E varrer da lembrança os sonhos perdidos

Às vezes tenho vontade de gritar bem alto
Dizer a todos o que vi na estrada
O que sinto ao tocar o chão...

Não quero falar somente das pedras
Das noites frias em silêncio
Das ilusões dos homens em prece
Insinuosas trilhas do destino...

Não, eu vou seguir sozinho
A luz que traz o eu caminhante
Andarilho de mim mesmo...

Quero aprender com o mundo
O que não me ensinaram
Sentir meus próprios passos
Olhar adiante e seguir sorrindo.

22/01/2011
Petrônio Lima (Petrus Trekking)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MARIGHELLA: O MULATO REVOLUCIONÁRIO


Entre o "fuzil" e sua grande paixão pelos estudos e a poesia

Você que nunca ouviu falar no líder guerrilheiro "Carlos Marighella" vai agora conhecer um pouco de sua história e certamente nunca mais esquecerá o seu nome. Um simples mulato baiano que fez tremer de medo os generais da Ditadura Civil Militar no Brasil entre os anos de 1964 até 1969. Filho de uma negra baiana com um anarquista italiano, herdou o amor pela liberdade e democracia. Um verdadeiro exemplo de luta pelo o povo brasileiro. Foi político e militante fundador da ALN, assassinado durante o golpe de estado do governo militar brasileiro, que manteve o poder entre 1964 e 1985. Vejamos então o depoimento de seu filho Carlos A. Marighella. O vídeo relata o momento mais obscuro da história nacional, gravado para a novela Amor e Revolução do SBT.



UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Entre os revolucionários que integraram a resistência armada à ditadura instalada no Brasil com o golpe militar de abril de 1964, Marighella foi reconhecidamente uma das lideranças mais destacadas.

A quatro de novembro de 1969, em uma emboscada preparada pelo facínora delegado Sergio Fleury em São Paulo, Carlos Marighella foi friamente assassinado. Este fato, negado insistentemente pelas autoridades policiais e militares, foi finalmente reconhecido pela Comissão especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça, em 11 de setembro de 1996.

Carlos Marighella era o comandante da resistência armada à ditadura militar mais procurado pelos órgãos de repressão naquele momento. Incansável lutador, não dava trégua ao regime, desmascarando-o a todo instante.

Experiente dirigente comunista, começou a militar no PCB aos 18 anos na Bahia. Sua atividade sempre foi caracterizada por uma grande capacidade política (foi membro da Comissão Executiva do PCB desde 1952), por seu entusiasmo e combatividade. Foi preso várias vezes, sofrendo bárbaras torturas, como em 1939, em São Paulo, quando seus pés foram queimados com maçarico sem, no entanto, fornecer qualquer informação aos torturadores da repressão política. Em 1945 foi libertado com a anistia; em 1946 eleito deputado constituinte, cassado em 1947 com a ilegalidade do PCB. Em 1948, com a repressão instaurada pelo governo Dutra, passou à clandestinidade, na qual ficaria até seu assassinato em 1969.

Em maio de 1964 foi preso dentro de um cinema na Tijuca (Rio de Janeiro) mas, sempre resistindo, denuncia a ditadura, dá vivas à democracia e ao Partido Comunista, quando foi atingido por uma bala no peito. O episódio foi descrito em seu livro “Por que resisti à prisão”.

“Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.

Essa sua postura ideológica de enfrentamento teve efeitos importantes na luta interna em curso dentro do PCB. De 1964 a 1967, suas divergências com o partido aumentaram e culminaram com o rompimento.
Em 1967 cria a Ação Libertadora Nacional (ALN), organizando a resistência armada à ditadura. Em fevereiro de 1968, foi divulgado o Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo que expôs os motivos da cisão e que resultou na formação da ALN; e já naquele ano começaram as primeiras ações armadas da organização.

Em setembro de 1969, poucos dias após uma junta militar impedir a posse do vice-presidente Pedro Aleixo e assumir o poder (o golpe dentro do golpe), a ALN e o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) realizam o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick, que possibilitou a libertação de vários presos políticos e a denúncia da ditadura em manifesto divulgado pelos meios de comunicação, inclusive a televisão.

O exemplo de Marighella, independentemente de avaliações das posições e práticas políticas que defendeu, empolgou jovens e velhos revolucionários, e foi sem dúvida uma das maiores expressões da luta contra o regime militar. Foi declarado inimigo número um pela ditadura, que contra ele desencadeou uma caçada implacável que culminou na emboscada na alameda Casa Branca (São Paulo) quando foi assassinado, em 4 de novembro de 1969.

O POETA DA LIBERDADE

Carlos Marighella, herói do povo brasileiro, demonstrou sua paixão pela vida, pela justiça e pela liberdade também por meio de poemas. Aliás, sua primeira prisão se deu por conta de um poema em que criticou o interventor Juraci Magalhães na Bahia. Marighella escrevia poesias desde os bancos da escola, onde surpreendeu professores ao fazer uma prova de Física em versos. Escreveu poemas revolucionários, evocativos e líricos, como classifica Clóvis Moura, para quem, “o saldo de seus versos – sem entrarmos em considerações de avaliação de crítica literária – é revelador de uma personalidade desafiadora em todos os ramos da atividade, de uma instigante figura de homem que, pela sua natureza desafiadora deu a sua vida como último poema que escreveu em defesa da dignidade humana: um legado de beleza heróica”.


LIBERDADE

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”

São Paulo, Presídio Especial, 1939.

Fonte:Reproduzido dos Boletins do CeCAC de novembro de 1996 e novembro de 1997.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PROJETO DE LEI QUE PUNE A VIOLÊNCIA CONTRA O PROFESSOR


A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino. Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e, na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente. A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.

Fonte: Sobral de Prima